Vou me dedicar aqui em socializar as coisas, causos e contos do Conselho Tutelar o lugar das grandes, duras e também lindas experiências.

Nesse lugar em que a contradição se expressa intensamente, inclusive a contradição do ser coletiva e ser singular! Nesse lugar de diferentes cores, dores e alegrias, no espaço que a utopia e o esperançar tomam conta de mim cotidianamente.

Lugar de diversos cansaços: cansaço físico, emocional e espiritual, muitas vezes. Mas o lugar da rica aprendizagem, incluindo a aprendizagem do descansar! Descansar e repousar para o amanhecer... e o amanhecer vem colorido de novo.

E entre um e outro texto certamente estarão também presentes outras experiências vividas, nessa minha vida militante e cheia de boas coisas...



Abraço fraterno!

Alessandra Freitas
















terça-feira, junho 29, 2010

Eu e o pequeno Matheus

3 de fevereiro de 2010.

Mateus era o nome dele. Conheci o menino Mateus tentando dar um "nó" na policia e depois em mim. "Estratégia de sobrevivencia".
Ele era lindo! doce e cheio de medos e cheio de furia, também, quando chegava a hora que o maldito crack marcava com ele...
na verdade meus encontros com Mateus foram poucos, mas cheios de representações e significados para ambos, tenho certeza disso.

Fiquei sabendo que não faz muito tempo, num momento que ele havia conseguido desmarcar com o crack e iniciar o processo de sujeito protagonista desta história, ele foi lá no Conselho mostrar aquela carinha bonita para mim, ainda mais bonita. Disse para o seu pai todo feliz: "vamos lá comigo ver a Alessandra".

Ele queria que eu visse, mas não estava lá.

Quem me contou isso no dia de hoje, foi seu pai. Homem que jamais esquecerei, com sua bicicleta percorrendo o bairro, o entorno e toda cidade a busca de seu Mateus.

Enfim, Mateus não suportou a pressão que o crack o lançava junto aos conflitos cotidianos e então a situação de rua voltou a ser seu cenário diário.

Em 24 de janeiro foi retirado do palco da vida. Nem preciso contar como. Ele tinha 15.

Confesso que me sinto impotente agora... Mesmo sabendo que contribui com ele no inicio do desatar o "nó", foi só o inicio... não conseguimos concluir.

" Ainda fazerei livros, onde nossas crianças possam morar".

Monteiro Lobato

De verdade queria não ter precisado viver essa dor!!!

Alessandra Freitas

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