Esse é o lugar em que os meus saberes se expressarão em palavras encantadas e ganharão a socialização como instrumento de luta e de fraternidade! Lápis de cores... para posibilitar pintar os sonhos e para fortalecer as ações!
Vou me dedicar aqui em socializar as coisas, causos e contos do Conselho Tutelar o lugar das grandes, duras e também lindas experiências.
Nesse lugar em que a contradição se expressa intensamente, inclusive a contradição do ser coletiva e ser singular! Nesse lugar de diferentes cores, dores e alegrias, no espaço que a utopia e o esperançar tomam conta de mim cotidianamente.
Lugar de diversos cansaços: cansaço físico, emocional e espiritual, muitas vezes. Mas o lugar da rica aprendizagem, incluindo a aprendizagem do descansar! Descansar e repousar para o amanhecer... e o amanhecer vem colorido de novo.
E entre um e outro texto certamente estarão também presentes outras experiências vividas, nessa minha vida militante e cheia de boas coisas...
Abraço fraterno!
Alessandra Freitas
terça-feira, junho 08, 2010
Eu e o CT
mais uma vez eu por aqui para socializar vivencias e saberes conquistados no processo do Ser Conselheira Tutelar.
Nesse lugar em que a contradição se expressa intensamente, inclusive a contradição do ser coletiva e ser singular! Nesse lugar de diferentes cores, dores e alegrias, no espaço que a utopia e o esperançar tomam conta de mim cotidianamente.
Lugar de diversos cansaços: cansaço físico, emocional e espiritual, muitas vezes. Mas o lugar da rica aprendizagem, incluindo a aprendizagem do descansar! Descansar e repousar para o amanhecer... e o amanhecer vem colorido de novo.
Conto um conto diferente nesse momento, conto na verdade sobre incríveis encontros que só foram possíveis porque tiveram em seu bojo, uma coragem imensurável de fazer coisas diferentes.
Fomos para a Rua, coletivamente, eu e meus camaradas Conselheiros. Fomos juntos para a Rua!!! Saímos de nossas salas de atendimento e cheios de coragem, fizemos muita pipoca, algodão doce e boas conversas. Não fui sozinha dessa vez, fomos todos nós, incluindo nossa equipe de trabalho, o secretário, a querida ajudante geral, o motorista, a psicóloga e diversos pares, que se achegaram.
Três encontros em lugares diferentes, mas realidades muito próximas. Água Quente, Chácara Silvestre e Esplanada Santa Terezinha. E imaginem quantas surpresas !!!!
Em primeiro as comunidades não conseguiam acreditar que os Conselheiros tiradores de filhos estivessem tão ali. Tão pertinho, tão livre de condenações, de culpabilizações e tão dispostos a brincar e rir com toda aquela gente. Rolei no chão com as crianças literalmente... beijei todos que pude, abracei muito, brinquei de roda, de “corre cutia”, dancei, cantei, aplaudi e fui aplaudida.
Em meio a uma das comunidades, esteve por lá um palhaço, um parceiro da loucura extremamente saudável que aprontamos. Montou seu picadeiro e fez seu show, de repente eu vi... tive a graça de olhar e entender um pequeno lindo com seu narizinho de palhaço, sabe-se lá de onde havia surgido aquele pequeno, até aquele momento escondidinho no meio de tantas crianças. Ele teve uma coragem de “CRIANÇA”... Com seu narizinho correu para de traz do picadeiro, bem lá dos bastidores saiu de bracinhos abertos. Ele queria fazer rir... Ele queria mostrar que rir é uma delícia. As dores daquela gente podem encontrar descanso, o pequeno quer fazer todos rirem! Que lindo esperançar!Que bom ter visto!
Também percebi muitas outras coisas e identifiquei tantas outras: em uma roda junto a mais ou menos umas dez crianças e cinco adolescentes, estava eu em meus tralalas encantados, explicando o que é o Conselho Tutelar, de repente uma pergunta: aquela que chamo “Pequena Estrela”, quis saber quem era eu?????
Prudente pergunta dona Alessandra, como chega até um bando de crianças sem se identificar??
Então respirei fundo e tive medo de espantá-los todos com a resposta, mas como só tem coragem que já sentiu medo, vamos lá: - Sou Alessandra, Conselheira Tutelar.
UFFF!!! Espanto geral, mas ninguém se surpreendeu mais do que Pequena Estrela, essa me tirou rapidamente do meio de todos e com seus olhinhos rasos d’água, me pediu ajuda. Sinceramente, sem nenhuma arrogância, me senti a super mulher da história!!!!rs coisas da contradição..rs
Pequena Estrela aos seus dez anos de idade, nunca freqüentou escola, as cores das letras para ela não fazem sentido algum. Os traçados da comunicação e do saber que conhece não estão em livros, cadernos ou letreiros, estão na rua.
Seus olhinhos tinham motivos de lagrimar... os meus sentiram vontade de assim também fazer, e como não sou a super mulher da história, eles não se aguentaram e disfarçadamente lagrimaram.
Nessa hora Pequena Estrela me emprestou seu brilho, tão lindo, tão cheio de luz. E de mãos dadas me levou a sua casa. Nem preciso contar o porquê da pequena estar sem escola...
A partir de então essa não é mais a realidade vivenciada por Pequena, ela está levando sua luz para a Escola lá de sua comunidade. E se tivesse me faltado coragem, se não fosse possível transformar o medo, ela não teria Brilhado em minha vida. O pequeno palhaço do circo que fez a gente do povo sorrir, não teria pulado no picadeiro. Os encontros não aconteceriam e eu estaria com todos os outros lá na sala, atrás da mesa fria.
... Que a indiferença não me persiga e se assim fizer que não me alcance e se me alcançar jamais vai roubar meu esperançar, eu sei que não vou deixar.
Que a indiferença não penetre em minhas entranhas nunca, pois se tentar vou guerrilhar sem me cansar.
Que a indiferença seja sentimento cada vez menos vivenciado pelos humanos, e o esperançar junto da disposição para lutar seja permanente em nós.
É o que desejo para todos nós.